Lei Ordinária nº 6.584, de 19 de março de 2019

Identificação Básica

Norma Jurídica

Lei Ordinária

6584

2019

19 de Março de 2019

Denomina a Rua Paixão Côrtes um logradouro público

a A
Denomina a Rua Paixão Côrtes um logradouro público.
    CARLOS EDUARDO MÜLLER, Prefeito Municipal, faço saber que
    a Câmara Municipal aprovou e eu sanciono a seguinte
    L E I:
      Art. 1º. 
      A Rua 01, do Loteamento Morada dos Pinhais, localizada no Bairro Faxinal – com início na Rua Nossa Senhora Aparecida e sem saída –, passa a denominar-se Rua Paixão Côrtes.
        Art. 2º. 
        É parte integrante da presente Lei, o anexo contendo o mapa de localização com as delimitações da rua, bem como, os dados pessoais do homenageado.
          Art. 3º. 
          Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
            GABINETE DO PREFEITO MUNICIPAL DE MONTENEGRO, em 19 de março de 2019.
            REGISTRE-SE E PUBLIQUE-SE:
            Data Supra.

            CARLOS EDUARDO MÜLLER,
            Prefeito Municipal.
            VANDERBELI GRIEBELER,
            Secretária-Geral.
            Lei de autoria da Vereadora Josi Paz.
              Anexo I
              Anexo
              Biografia
              Paixão Côrtes
              Data de nascimento: 12.07.1927
              Data de falecimento: 27.08.2018
                                 João Carlos D’ávila Paixão Cortes, mais conhecido como Paixão Côrtes, nasceu em 12.07.1927, em Santana do Livramento e trata-se de um importante pesquisador das tradições gaúchas. Além de exercer atividades condizentes com sua formação em agronomia, era também um folclorista, compositor, radialista e pesquisador.
                               Durante os anos de 1940 e 1950, juntamente com um grupo de amigos – que se intitulavam como Grupo dos Oito – realizaram diversas pesquisas das tradições, sendo Paixão Côrtes o mentor de diversas solenidades que visam até os dias de hoje cultuar os símbolos socioculturais do gauchismo, como a Chama Crioula, o Desfile dos Cavalarianos, a Ronda Crioula e o primeiro Centro de Tradições Gaúchas – CTG de nosso estado, o “CTG 35”, localizado em Porto Alegre e inaugurado em 1948. Em 1953, ainda, fundou o pioneiro conjunto folclórico “Tropeiros da Tradição”.
                            No seu legado, também ficou a catalogação, em conjunto com Barbosa Lessa, de cerca de vinte músicas e danças tradicionais do Rio Grande do Sul, dando origem ao Manual de Danças Gaúchas e ao LP de Danças Gaúchas, em 1956, que teve como cantora Inezita Barroso e é considerado o primeiro registro em fonograma do resultado das pesquisas folcloristas. Gravaram músicas tradicionalistas folclóricas como Chimarrita-balão, Balaio, Maçanico e Quero-mana, Tirana do Lenço, Rilo, Xote das Sete Voltas, Xote Inglês, Xote Carreirinha e Vaneira Marcada.
                                 Em 1958 apresentou-se na mais antiga sala de espetáculo de Paris, o Olympia, além de outros diversos locais, como no Palco da Universidade de Sobornne, no Hotel de Ville, no Teatro Alhambra, entre outros clubes da capital francesa. Ainda, neste mesmo ano, foi convidado pelo então Diretor da RBS, Maurício Sirotsky, para apresentar o programa Festança na querência, que ficou no ar até 1967.
                             Posteriormente, em 1962, Inezita Barroso gravou as composições Tatu e Pezinho, frutos das pesquisas de Paixão Côrtes e Barbosa Lessa. No mesmo ano, recebeu o prêmio de “Melhor Realização Folclórica Nacional”. Em 1964, apresentou-se na Alemanha, na Feira Mundial de Transportes e Comunicação, na cidade de Munique. No mesmo ano, ainda, recebeu prêmio de “Melhor Cantor Masculino de Folclore do Brasil”.
              Em 1986, apresentou-se por um mês na Inglaterra, divulgando a tradução de seus livros para o inglês. 
                              Seu ativismo frente a nossas tradições foi reconhecido, também, quando convidado para servir de modelo para Estátua do Laçador. Localizada em Porto Alegre, a estátua do escultor Antônio Caringi foi escolhida como símbolo da cidade de Porto Alegre.
                              Em 2001 proferiu uma palestra sobre a música gaúcha, no VII Encontro Nacional de Pesquisadores da MPB, no Teatro da Universidade do Rio de Janeiro, e em 2003 lançou seu novo manual, com mais danças derivadas de pesquisas, como a Valsa da Mão Trocada, Mazurca Marcada, Mazurca Golpeada, Sarna e Grachaim.
                              Já no ano de 2010 foi escolhido como patrono da 56ª Feira do Livro de Porto Alegre e recebeu a Ordem do Mérito Cultural.
                             A sua discografia conta com nove lançamentos, como o Xote carreirinho/caramujo (sem data), O folclore do pampa (1961), Tradição e folclore do Sul (1964), Paixão Cortes – sobre o folclore gaúcho (1970), Do folk aos novos rumos (1977), Paixão Côrtes especial (1978), Hino ao Rio Grande (1980), Cantando e Bailando (1982) e Cantares e Sapateios Gaúchos (1982).
                             Sua Bibliografia, por sua vez, conta com doze publicações, todas de extrema importância para cultura gaúcha: Suplemento musical do Manual de danças gaúchas – em parceria com Barbosa Lessa (1955) –, Manual de Danças Gaúchas – com Barbosa Lessa (1956), Festança na querência (1959), Terno de Reis – Cantigas do Natal Gaúcho (1960), Folclore musical do pampa (1960), Vestimenta do Gaúcho (1961), Gaúcho de faca na bota: uma dança alemã no folclore gauchesco (1966), Danças e andanças da tradição gaúcha – com Barbosa Lessa (1975) -, Aspectos da música e fonografia gaúcha (1985), O Laçador: a história de um símbolo (1994), em 1994 colaborou na produção da coletânea “A música de Porto Alegre: as origens”, e Músicas, Discos e Cantares: um resgate da história fonográfica do Rio Grande do Sul (2001).
                             Compositor de músicas como Pezinho, Ratoeira e Xote de Carreirinho, também foi o apresentador dos programas Festa no Galpão (1953), Grande Rodeio Coringa (1955) e Festança na Querência (1958), como já mencionado, e atuou, em 1971, no filme “Um certo Capitão Rodrigo”, no papel de “Pedro Terra”, de Anselmo Duarte, baseado na obra do escritor Érico Veríssimo.
                             Ainda, como agrônomo – sua formação -, foi o responsável pela abertura do mercado da ovinocultura no Estado do Rio Grande do Sul, pois trouxe da Europa métodos e tecnologias de tosquia, desossa e gastronomia, além de incentivar o consumo da carne ovina. Também iniciou seus 40 anos de serviço na Secretaria da Agricultura aos 17 anos, tendo passado pelas estações experimentais de Pelotas, Santana do Livramento, Campos de Cima da Serra e Porto Alegre. Foi, ainda, professor dos cursos de classificação de lã, ovinotecnista e, por fim, Chefe do Serviço de Ovinotecnia.
                           Formado pela UFRGS no ano de 1949 em Agronomia, desenvolveu na Secretaria da Agricultura o trabalho de extensão no interior do estado, coma implantação de novas tecnologias.
                            Lamentavelmente, aos 91 anos, recuperando-se de uma cirurgia em razão de uma fratura no fêmur, faleceu na UTI do Hospital Ernesto Dorneles, na capital gaúcha, em 27.08.2018. O Governador do Estado decretou luto oficial de três dias e ofereceu as dependências oficiais do governo à família para realização do velório, para demonstrar a importância deste tradicionalista gaúcho e da admiração dos gaúchos por ele.
                           Inegável ícone do tradicionalismo em nosso estado, justo se faz a homenagem de sua denominação ao logradouro público, como uma homenagem que os Poderes Executivo e Legislativo prestam à sua memória.

                Anexo II
                O mapa com as delimitações da rua encontra-se disponível no arquivo anexo à presente Lei.